quinta-feira, 14 de maio de 2009

Projeto da semana de ciências sociais

V SEMANA DE CIENCIAS SOCIAIS
TEMA: FRAGMENTAÇÃO OU NAÕ: EPISTEMOLOGIA E METODOLOGIA NAS CIÊNCIAS SOCIAIS
DATA: 16 A 19 DE JUNHO
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSIFIA (ICHF)


Apresentação:

Será realizada, entre os dias 16 a 19 de junho, a quinta edição da semana de ciências sociais na universidade federal fluminense, com o tema: “fragmentação ou não: epistemologia e metodologia nas ciências sociais”, a se realizar no instituto de ciências humanas e filosofia (ICHF), contando com sua ampla estrutura física, o que proporciona a realização do evento com atendimento as necessidades para tal, e permitindo que o encontro tenha tudo necessário para alcançar seus objetivos, como a integração dos alunos de ciências sociais da UFF e de outras universidades; a discussão acerca das particularidades acadêmicas do curso; a integração entre corpos discente e docente, inclusive com professores renomados na área de outras universidades, o que possibilita um horizonte maior aos alunos em termos de conhecimento; atividades culturais e outros.


Justificativa:

A proposta de se realizar a semana de ciências sociais nestes moldes surgiu da necessidade encontrada pelos alunos em se discutir, a princípio, a fragmentação do curso de ciências sociais, a retirada de um de seus pilares, a antropologia, de seu quadro, e, em conseqüência disto, fazer uma discussão conceitual e profunda sobre a própria ciência, qual sua validade, sua aplicabilidade, a que ela corresponde e todos os desdobramentos que esta tem, desde quando se aprende a faze-la até sua aplicação prática, como o conhecimento científico é passado para os alunos e como estes, posteriormente enquanto profissionais, vão estar aplicando este conhecimento científico.


Objetivos:

A semana de ciências sociais tem como objetivo principal uma profunda discussão epistemológica e metodológica acerca das ciências sociais, das ciências humanas e da concepção de ciências como um todo, onde estas estão inserida, sua rede de relações sociais, isto é, para quem servem as ciências sociais e a ciências em geral. Desse modo queremos discuti-la numa perspectiva da ciência enquanto política, inserida nas relações de classe que formam a sociedade.


Tema: Fragmentação ou não: epistemologia e metodologia nas ciências sociais.


Contextualização:

Em época que o capitalismo (e aqui vamos nos eximir de lhe dar uma categorização mais científica, apenas usaremos este num sentido mais de senso geral) se apresenta como paradigma dominante e permeia todas as relações sociais, como trabalho, estudo e todas as outras, inclusive ideológicas e subjetivas, vemos o mundo do trabalho se adequar a tal ordem predominante em todas as suas esferas. E o conhecimento em geral também se alinha a esta perspectiva, inclusive acadêmico, onde a lógica é a gestão do conhecimento direcionada para o mercado, em detrimento de uma formação em função do próprio conhecimento em si. Vemos isto claramente nesta fragmentação do curso de ciências sociais, pois a particularização da ciência, como está sendo feita neste caso, caminha neste sentido, seguindo um “taylorismo” no conhecimento científico, uma especialização no sentido de atender uma otimização da ciência em prol do mercado, uma atitude buscando um efeito rápido e mecanizado, um conhecimento tecnicizado, onde se reproduz a idéia do segundo grau técnico, onde o estudante se concentra em particularidades de uma vertente científica e vira as costas para todas as outras vertentes deste mesmo conhecimento científico, se transformando num “apertador de parafusos” e sem tomar conhecimento de todo o processo de produção.
E o capitalismo se aproveita de sua legitimidade institucionalizada para determinar quais as prioridades e mesmo concepções das ciências de uma forma geral, assim como muitos aspectos da sociedade. Na academia, o Estado investe no conhecimento científico para reforçar seus discursos, conforme falou Schwartzman (1981:40):
“Como em um mercado, eles ‘vendem’ seus produtos em termos de prestígio e influência acadêmica. Como no mercado, a racionalidade individual leva o cientista a trabalhar nos temas que lhe sejam mais valiosos, quer dizer, que lhe dêem maior prestígio e reconhecimento. Ele busca vantagens comparativas, em termos de sua formação anterior e habilidades intelectuais. Se não consegue escolher bem seus temas, ele será rapidamente excluído do mercado pela competição. Assim, a república da ciência estimula a racionalidade individual, e ao faze-lo, estimula a ciência como um todo. (...) essa comunidade desenvolve, pelas leis do mercado, um conjunto de noções a respeito do que é importante e do que não é, que padrões de comportamento são aceitáveis e quais não o são, e quais problemas merecem ser estudados. Em termos mais atuais, ela desenvolve um paradigma comum de trabalho”.
Este trecho demonstra como a ciência tem sua produção influenciada, muitas vezes, por lógicas que estão fora do conhecimento científico, como política e mercado. E esta influência externa pode determinar objetos e metodologias de pesquisa, e não só, mas também o resultado desta pesquisa pode vir a atender interesses que se põem antagônicos a um conhecimento voltado para a transformação social, como, por exemplo, pesquisas financiadas por órgãos governamentais e fundações visam usar o discurso científico para legitimar concepções como controle social, políticas púbicas repressivas e várias outras, que tem seu recorte epistemológico claramente direcionado para interesses políticos das instituições que o patrocinam. As ciências sociais, tais como estão concebidas hoje dentro de uma lógica capitalista, transporta a diferenciação social de indivíduos para dentro da academia, numa disputa promíscua de aumento de privilégios e prestígio, reproduzindo, assim, uma concepção desigual pra dentro da academia, ou como designou Pedro Demo (1981:33), sobre a questão de pares científicos se fecharem dentro de seus grupos e visarem interesses próprios:
“As ciências sociais são construídas de modo geral não pelos desiguais, mas por pessoas beneficiárias do sistema, até mesmo porque conseguem alcançar a formação superior. Muito naturalmente os cientistas sociais procedem a embutir no conhecimento científico sua própria justificação. É fácil demais mostrar que a universidade corresponde muito mais aos beneficiários do sistema do que aos marginalizados. Extremando as coisas, produzem-se todas as ideologias encomendadas à troca dos respectivos interesses e privilégios”.


A importância da interdisciplinaridade

Dentro de uma perspectiva científica, o conhecimento se produz englobando várias áreas do conhecimento. É inegável a contribuição de matérias como história, geografia, direito, economia e outras para a formação de um bom cientista social, pois seus objetos são o mesmo, mudando muitas vezes apenas a metodologia entre tais. Quando um pesquisador faz um recorte espaço-temporal do seu objeto, invariavelmente, está se reportando a outros campos do conhecimento científico. Esta perspectiva, porém, é posta de lado quando se pensa um conhecimento tecnicizado, pois tal perspectiva valoriza um conhecimento compartimentalizado, onde não se recorre a outros campos do conhecimento para a construção do seu método de pesquisa. A intradisciplinaridade é um fenômeno cada vez mais comum, trata-se da criação de subdisciplinas. Podemos citar como exemplo a Psicologia e a Psicologia da educação, estamos portanto a tratar de uma especialização dentro de outra especialidade. É necessário lembrar que as subdisciplinas podem ajudar muito no desenvolvimento de sua “disciplina mãe”, como ocorre no caso do exemplo citado. Mas é preciso estar atento ao fato de que facilmente as subdisciplinas perdem contato com suas disciplinas de origem, assim criando um universo dentro de outro, ajudando no fenômeno de uma crescente especialização sem contato com o mundo real.


O mito da neutralidade

É impressionante ver ainda hoje acadêmicos e pesquisadores reivindicarem a neutralidade científica, propagando a importância da isenção do cientista perante seu objeto de estudo. Esta neutralidade é inexistente, pois o cientista carrega consigo todo o aparato apreendido na sua formação tanto acadêmica quanto social, e este aparato permeia toda a sua produção, ou, como se costuma dizer “quem fala, fala de algum lugar, ninguém fala do vácuo ou vendo tudo por cima”, então a neutralidade axiológica é usada inocentemente, ou muitas vezes como embuste para legitimar uma suposta objetividade da ciência e, por conseqüência, sua legitimação nos cânones acadêmicos, onde a ciência busca se institucionalizar cada vez mais se alinhar a regras gerais de concepção e metodologia de ciência generalizada. E tal neutralidade é inexistente tanto no campo científico quanto no campo político, pois se não existe a neutralidade científica, igualmente não existe a neutralidade política, e todo posicionamento, mesmo científico, é um posicionamento político. Quando um cientista investe numa concepção tecnicista, como é a da fragmentação do curso de ciências sociais, mesmo que involuntariamente, está investindo numa concepção tecnocrata, reflexo de uma sociedade meritocrata, onde mesmo dentro da academia vemos uma intensa disputa por estar na ponta da produção do conhecimento, criando assim uma competição entre os pesquisadores, certos saberes ao invés de serem difundidos entre seus pares, se torna um trunfo de certos pesquisadores para se destacar e se diferenciar de outros.


O cientista e seus posicionamentos

Discutir concepções pedagógicas e científicas é discutir toda concepção de sociedade, pois não são coisas descoladas, muito pelo contrário, são a mesma coisa. Quando fazemos a crítica ao processo de taylorização do conhecimento das ciências sociais, fazemos a crítica a todo sistema capitalista e seus pormenores. Quando aceitamos que a neutralidade não existe, tanto no campo científico quanto no campo político, nos vemos obrigados a tomar um posicionamento com relação a todo o processo, pois o não-posicionamento não existe, e não se posicionar significa corroborar com todo o processo, portanto o verdadeiro criticismo do cientista social leva a uma crítica maior, onde ele vê a rede de interesses em que o conhecimento está submetido e deve se posicionar a favor da transformação de todas as contradições da academia e da sociedade, em detrimento de reproduzir todos esses conceitos. O cientista social crítico deve perceber que a academia investe em produzir conhecimento para legitimação de um discurso que é elitista, e buscar em produzir um conhecimento voltado para a população em geral, buscar uma academia popular, onde o conhecimento não é um troféu ou um produto de barganha política, mas um instrumento de melhoria social e visando o bem comum.


Público alvo:

Estudantes de graduação e pós-graduação em ciências sociais, pesquisadores da área ou de áreas afins, assim como a comunidade acadêmica da UFF e de outras instituições de ensino.


Atividades:

1) Palestras
2) Debates
3) Oficinas
4) Atividades culturais

Documento Sobre o GD Movimento de Área

Documento Sobre o GD Movimento de Área 12/03/2006
(Coordenação de Movimento Estudantil)

Introdução

A construção do Grupo de Discussão sobre Movimento Área, foi iniciada após o Encontro Nacional dos Estudantes de Ciências Sociais (ENECS) realizado em 2003 na cidade de Brasília. A idéia do GD, teve como intuito discutir a atual (des)organização do movimento estudantil, depois que a delegação da Universidade Federal Fluminense voltou muito desapontada com os encaminhamentos da plenária final.
Após a nossa volta, foi realizada uma assembléia, com mais de 50 pessoas, que discutiu uma maneira de organizar o movimento estudantil de ciências sociais, para isso foi escrito um documento (em anexo) enviado para outras escolas, com intuito de fomentar essas discussões a nível nacional.
Deste então, com alguns refluxos, o GD vem discutindo uma forma de organização dos estudantes que possibilite uma maior interação e ação dos estudantes na realidade.

Histórico

A construção da Federação do Movimento Estudantil de Ciências Sociais (FEMECS), em 1997, no encontro de Juiz de Fora, teve o intuito de propiciar uma melhor comunicação entre os estudantes do país e assim propiciar uma maior interação com a sociedade e assim uma melhor ação dos alunos a partir das decisões da base. Mas o que temos hoje, e algum tempo, para ser mais preciso, desde 2001, é uma desorganização do movimento estudantil de ciências sociais.
Depois do encontro de Brasília, o último havia sido em 2001, ficou nítida a inexistência de alguma forma de organização que promova alguma forma de comunicação entre as escolas e assim uma ação efetiva dos estudantes na sociedade. A FEMECS deste então passou a existir para um grupo de pessoas, que tentaram de todas as formas se legitimar perante os estudantes, porém isso não aconteceu pois está não existe em nenhum aspecto, material e imaterial.
Chegamos a conclusão portanto, que é necessário a construção do Movimento de Área, a nível nacional. Para construir um movimento estudantil de ciências sociais combativo, que promova a interação entre os alunos nas mais diversas formas de atuação destes no meio onde trabalham e que efetivamente haja uma ação coletiva dos estudantes a partir do respeito as decisões dos estudantes.
Para isso os estudantes de ciências sociais da UFF, vem discutindo propostas para o movimento de área, com intuito de discutir essas propostas a nível local e nacional no próximo encontro de ciências sociais, a ser realizado na cidade de Manaus. A idéia principal é construir uma rede de ação e integração de forma coletiva possibilitando a interação entre os alunos e a comunidade possibilitando uma efetiva transformação das relações sociais.

Sobre o Movimento de Área

O movimento de área é uma forma de organização política de estudantes de um mesmo curso que procurar aproximar as escolas para ação destas de forma conjunta para compartilhar os problemas e soluções. É um espaço de troca onde cada escola traz suas experiências para haja uma grande interação e a partir desta reconstruir o campo de atuação na sociedade.
Reconhecendo, pois, a heterogeneidade de concepções e práticas dentro das Ciências Sociais, o movimento de área se apresenta como uma forma de congregar estudantes que procuram dialogar com o diverso e assim amadurecer com este suas próprias convicções através do conflito entre opiniões, e a partir de um espaço onde estes conflitos são expostos com a mesma liberdade e igualdade, desenvolver uma ação nas mais diversas realidades, sempre respeitando o conjunto dos estudantes, para que possamos encontrar uma ação transformadora unida.

Problemas do Movimento de Área e pressupostos para sua discussão.

Quando olhamos para o atual movimento de área, percebemos um conjunto de problemas, que impossibilita ação dos estudantes. A certo tempo um conjunto de práticas, que existe a nível nacional em todo movimento estudantil, procura desmobilizar os estudantes, criando assim um vazio em espaços que poderiam ser ativos e combativos.
Essas práticas consistem sobretudo na tentativa de impedir que exista uma ação real dos estudantes nos espaços de discussões, decisão e ação, minando com isso a comunicação entre as escolas e seu poder de resistência e proposição de idéias para universidade e para sociedade.
Com isso, nos encontramos cada vez mais isolados sendo incapazes de agir. Não conseguimos parar, pensar e agir coletivamente, pois existe um abismo entre a maioria dos estudantes e o espaço onde são discutidos e decididos as práticas efetivas
dos estudantes na complexa rede de problemas no universo da sociedade brasileira.
Percebemos que a estrutura e organização que estamos assentados impede que os estudantes de todo o Brasil consigam interagir. Como nos organizar de forma que não sejamos socos vazios no ar sem atingir nenhum objetivo? Como tornar mais atuante sujeitos e sujeitas nas mais diversas realidades? Como torna o movimento de área compromissado com as mobilizações e não com um corpo burocrátrico? Como organizar nacionalmente os estudantes entendendo as diversidade locais e os pontos em comum nacionalmente?

Uma proposta de organização do Movimento de Área

Muito discutimos sobre uma maneira que o MA deveria ser estruturado, a importância de um forma organizativa que atenda nossas expectativas estabelecendo uma rede de confluências. Reconhecemos primariamente a necessidade de um movimento real-concreto para a constituição de qualquer entidade, visto que o segundo é uma decorrência do primeiro. O primeiro passo que deverá ser dado para chegarmos aos nosso objetivos seria uma melhor articulação das escolas mais próximas em âmbito espacial e cultural construído. Para isso é necessário repensar o atual formato da regionais, que achamos grandes demais, impossibilitando a ação dos estudantes, uma vez que possuímos escolas que estão a milhares de quilômetros de distância, caso da Regional Centro-Oeste/Sudeste.
Para tal intento propomos que cada escola procure estabelecer um campo de interação com escolas próximas, organizando atividade conjuntas e fomentando o debate sobre o MA, assentados numa base de troca, conflitos, companheirismo e compromisso políticos. Verificamos em nossa prática local cotidiana o quão importante é a sinceridade, honestidade e franqueza no debate coletivo e no respeito as decisões coletivas, principalmente quando lidamos com opiniões que se confrontam radicalmente.
Sabemos que cada escola tem uma heterogeneidade de concepções da realidade, no caso das Ciências Sociais na UFF, procuramos discutir as mais diversas posições em um espaço, no caso o Diretório Acadêmico, e a partir das discussões e posteriormente da decisão do coletivo agir unificadamente. Essa prática e dinâmica é que pretendemos levar para todos os espaços que viermos a construir e participar, não procuramos impor qualquer pensamento a ninguém e principalmente não tentamos excluir qualquer pensamento a ninguém e principalmente não tentamos excluir qualquer pessoa por suas convicções, a pluralidade sempre é bem vinda, pois permite olhar para um mesmo fenômeno sob diversas possibilidades e aprendemos muito com isso.
Assim estamos propondo uma nova forma de organização do movimento de área, que consiste como dissemos anteriormente na redefinição do número de regionais, que hoje são enormes e dificultam ação conjuntas das escolas. Para isso seria necessário a organização de encontros estaduais, a partir das decisões das escolas, para que no próximo encontro nacional seja colocada a organização das escolas, que pode ser regional ou estadual.
Para isso propomos um Encontro Fluminense de Estudantes de Ciências Sociais para concretizar essa proposta que é aberta a crítica ou qualquer adendo visto que o intuito é somar, o contrário de reduzir a apenas um prática exclusiva e excludente, como vimos no último encontro, em especial a atuação da ilegítima FEMECS. Segue em ANEXO o projeto inicial a ser debatido com as demais escolas do Rio de Janeiro.

Sobre os Encontros Nacionais

Por inúmeros motivos, o Encontro Nacional se realiza anualmente. Isso é muito pouco para construir um movimento real, é impossível estabelecer uma linha política a ser seguida por todas as escolas que se conhecem e se encontram tão pouco.
A partir desta contestação, pouco sabemos das vivências de cada escolas, percebemos que os estudantes não se vêem enquanto sujeito da construção de práticas efetivas para intervir na realidade. E pensam, senhores e senhores, que isso é devido alienação deste, que só pensam em si mesmo, e portanto não procuram agir? Diria que não. Uma parte significativa não se insere devido atual estrutura e organização, apesar de haver sim uma ideologia do individualismo, que críticas as organizações representativas e políticas, muito crescente em nossas universidades propiciando uma prática conservadora dos estudantes.
Essa ideologia cresce sobretudo devida a burocratização do movimento e como constatamos a falta de ação coletiva e desrespeito decisões do conjunto, que muitas vezes não conseguem nem participar das discussões. Ficamos ao final de cada encontro reclamando da organização estrutural (Comida, banho, local etc) e tirando moções de repúdio a invasão no Iraque e a favor do MST, se tirar nenhuma ação efetiva que interligue as escolas.
O ponto de partida para construção dos EN deve ser de garantir o caráter autônomo, criativo e enaltecedor de nossas potencialidades. Além das proposições mais objetivas, o encontro é um momento de total liberdade criativa e reciprocidade, prezando pelo conhecimento do outro em sua intensidade. Ademais, esse “espírito coletivo” não se encerra nos encontros e na afeição mútua, é preciso dar continuidade no cotidiano de cada escola, procurando sempre uma prática de ação e interação dentro da possibilidade e realidade de cada um. É importante que haja comprometimento de todas as escolas garantindo uma comunicação constante e contínua das atividades realizadas em cada faculdade, de modo a todos terem acesso ao que vem sendo produzido por estudantes de nosso curso nas mais diferentes frentes de luta e/ou transformação social. A delegação por escola de atividades é fundamental para otimizar e dinamizar o trabalho coletivo.

Sobre organização de uma Federação e a cerca do seu trabalho.

Diferentemente da forma como hoje se organiza a inexistente FEMECS, a divisão do trabalho por escolas se daria de forma diferente, de acordo com as demandas de uma dada conjuntura.
Pensamos em uma estrutura que os estudantes participem efetivamente, sendo sujeitos da ação e não meros executores de decisões de uma direção. Para isso, não haveria coordenações fixas nem nacionais. Os encontros locais decidiriam sobre sua organização, construindo de acordo com suas necessidades coordenações para execução de tarefas, tais coordenações seriam compostas pelas escolas feito por delegação, sendo possível a revogação da escola da coordenação de acordo com decisão do coletivo de estudantes, portanto os “cargos” não fixos. Além disso os encontros locais deveriam ser antes do nacional, para justamente haver algum acúmulo de discussão.
A FEMECS efetivamente seria um conselho de delegados das locais, que se reuniriam para executar e levar novas discussões para base do movimento. Todas elas teriam como objetivo reunir e comunicar as demais escolas tudo que está sendo realizado e produzido sobre determinado assunto ou tema nas escolas de CS do Brasil, ou quem sabe em dimensões mais amplas. Temas como Sociologia no Ensino Médio, reformas curricular e universitária, contato etnográfico, populações tradicionais, ciência, militância, reforma agrária, gênero, ALCA, religião, políticas públicas, etc, são formas de aglutinar conhecimentos, trocar experiências e assim construir práticas efetivas e criativas.
No encontro seguinte avaliaríamos o trabalho realizado, dando prosseguimento ou não, propondo algum encaminhamento (publicação de revistas, material didático, ação direta conjunta). Para assim termos continuidade nos trabalhos e manter de algumas formas a ligação entre as escolas.

Sobre as Plenárias Finais

Um momento de encerramento e avaliação do encontro é de fato imprescindível em qualquer encontro. Entretanto a forma com que ela se dá em nossos encontros é por demais estéril, desprovida de qualquer senso de realidade que corresponda a dos estudantes. São nas plenárias finais que podemos encaminhar as atividades coletivas a serem realizadas durante o ano, ressaltando que estas partirão dos debates e demandas vindas das escolas e encontros locais. É necessário a busca pelo entendimento e construção de atividades conjuntas, que devem ser debatidas na plenária de forma democrática, caso não se consiga deve se decidir pelo voto. Obviamente que as escolas não podem ser obrigadas a realizar atividades, estas decisões servem como encaminhamento e não como uma imposição. A PF, bem como todo encontro não é um espaço de formação, mas de costura de ações efetivas.

Conclusão

Tudo que foi abordado neste pequeno texto vem sendo debatido desde o último EN realizado em Brasília, em GT sobre MA(Coordenação de Movimento Estudantil), e finalmente aprovado em Assembléia Ordinária do Diretório Acadêmico Raimundo Soares – Ciências Sociais, realizada no dia 14 de julho de 2004, com a presença de XX estudantes. Isto é resultado de discussões atreladas a uma prática específica do ME a qual prezamos, procuramos perpetuar e compartilhar com nossos colegas de outras universidades. Nosso opinião sobre ME está totalmente comprometida com o trabalho coletivo local, horizontal e de ação direta.
Todo essa trabalho, fruto da gestão coletiva da entidade representativa dos estudantes, que propicia o mesmo grau de participação a todos, uma vez este podem vim debater e colocar em prática uma atividade. Tentamos ampliar o número de pessoas que participe no DA quotidianamente, para que haja renovação constante e contínua, a fim de não sobrecarregar ninguém. Esse trabalho vem dando certo há aproximadamente 8 anos, se destacando dentro da UFF como um dos diretórios mais mobilizados e combatentes.
Portanto todo conteúdo deste documento parte de uma visão específica de ME, que não comporta lideranças ou qualquer tipo de concentração de poder, não acreditamos nas velhas direções partidárias que burocratizão o movimento, e sabemos que uma parte dos estudantes de CS do BRASIL compartilha dos mesmos anseios e/ou desenvolvem projetos semelhantes em suas escolas. O que propomos é uma proposta política concreta, que parte da força da nossa união e organização. Com elas podemos superar as dificuldades e fortalecer um movimento estudantil o tornando mobilizado e combatente, fazendo que velhas direções partidárias oportunistas caem por terra sem dó nem piedade.
Por isso escrevemos aos nossos colegas que acreditam que um MA possa de fato ser construtivo-criativo, esperando que se solidarizem e contribuam com o debate, trazendo opiniões, experiências e práticas.

Assina este documento,
Diretório Acadêmico Raimundo Soares – Ciências Sociais, entidade representativa dos estudantes de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense.

Ciências Sociais/UFF: Em Defesa do Rompimento com a UNE

Comunicado 01/2005 – Abril de 2005

Em assembléia realizada no dia 06 de abril de 2005 os estudantes de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense decidiram pelo rompimento com a União Nacional dos Estudantes. Esse processo na prática já acontecia. A muito anos a distância entre a UNE e os estudantes é um poço sem fim. A muito tempo a UNE é um aparato burocrático nas mãos dos partidos eleitorais, deixando de ser instrumento de luta dos estudantes para ser uma fábrica de carteirinhas e deputados.
As Ciências Sociais da UFF há anos não segue as resoluções e a política da UNE e mais do que isso tem uma proposta antagônica a respeito do movimento estudantil. O Diretório Acadêmico Raimundo Soares é uma gestão popular coletiva calcada na democracia de base. Em nada tem haver com as práticas e as posições da UNE, que dirigida pela UJS/PCdoB e seus aliados, que vai do PT ao PFL, espanca estudantes e comete inúmeras fraudes. O DARS-CS combate esse tipo de movimento, combate o parlamento estudantil que se incrustou no movimento estudantil, seja a nível local ou nacional[1]. O DARS-CS defende a democracia de base. A gestão popular coletiva.
Esse rompimento na verdade é o reconhecimento dos estudantes de ciências sociais da UFF da falência múltipla da União Nacional do Estudantes. Não existe possibilidade alguma de modificar a estrutura dessa entidade. Não existe possibilidade alguma de encaminhar qualquer luta por esta entidade. A UNE não serve aos estudantes.
A distância entre UNE e os estudantes é absolutamente enorme e como o DARS-CS tem o compromisso de lutar pela construção de um movimento estudantil combativo e popular, calcado na democracia de base e na ação direta a RUPTURA se faz mais do que necessário. A UNE não é o caminho para construção do movimento estudantil que hoje está em ruínas. Pelo contrário, a UNE hoje representa o pior do movimento estudantil. Representa a politicagem que se incrustou seio no movimento estudantil.
A RUPTURA foi um processo longo que culminou na assembléia, uma vez que há anos a relação entre União Nacional dos Estudantes e o DARS-CS é antagônica. Há anos a UNE é nossa inimiga. Seus anseios não são os anseios dos estudantes. Mais do que formar uma nova organização o diretório tem como objetivo construir efetivamente o movimento estudantil popular e de luta, e combater todas as formas de oportunismos.
A decisão de RUPTURA representa o compromisso do Diretório Acadêmico Raimundo Soares – Ciências Sociais com a história do movimento estudantil compromissado com o povo e não com os governos e interesses partidários. Representa o compromisso com estudantes mortos na ditadura, como Bacuri e Raimundo Soares, estudante que dá nome ao nosso diretório. Representa o compromisso pela educação, pela justiça e pela liberdade. Representa todo o compromisso com as lutas de resistência desde invasão dos portugueses.
Assim, avaliamos que esse momento é primordial para essa tomada de decisão, uma vez que tanto o movimento sindical e agora o estudantil passam por um inicio de reorganização. Nesse momento em que a CUT e UNE capitulam e apóiam o governo, vários sindicatos, DA´s e DCE’s rompem com estas entidades. É a hora de irmos a Luta, é a hora de ação e participação. É a hora dos estudantes se mobilizarem para combater as reformas do governo e formar um novo movimento estudantil.
Portanto, a decisão de rompimento com UNE, que significa não reconhece-la enquanto espaço para encaminhamentos das lutas e não reconhece-la enquanto representantes dos estudantes, é um processo que culminou com a capitulação total desta entidade, outrora combatente, ao apoiar o governo e suas propostas de privatização do ensino público no país.
O DARS assume com isso a postura de trabalhar para construção um movimento estudantil combativo e desburocratizado. A UNE é uma entidade a serviço do Governo e do Movimento Estudantil oportunista e governista. O único meio de começar a trilhar um caminho de lutas e de mobilização é construir um novo movimento por fora do aparato institucional da UNE. Novas ferramentas de luta DOS ESTUDANTES devem ser criada. Os estudantes estão cansados dos conchavos, do aparelhamento de entidades e de sua burocratização. Conclamamos a todos os cursos, DA’s e CA’s a romperem com UNE e iniciar a construção do movimento estudanti,l que tenha a ação direta como estratégia de luta, e de novas ferramentas de lutas que sejam dos estudantes e não aparelhos dos partidos ou de qualquer outra organização.

A UNE NÃO NOS REPRESENTA!
ABAIXO À UNE!

Pela construção do Movimento Estudantil Combativo e Desburocratizado!

[1] Ver documento do GD de Movimento de Área de 2004.